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Os formidáveis brancos da Terceira estão de volta

03/08/2017

Anselmo Mendes e Diogo Lopes estão de regresso à ilha Terceira, nos Açores, para retomar um projecto iniciado em 2011 e que criou grande ilusão nos amantes dos vinhos brancos: a produção dos vinhos Magma e Muros de Magma, da Adega Cooperativa dos Biscoitos, no concelho da Praia da Vitória. Os dois enólogos fizeram um acordo com os serviços regionais de agricultura e com a direcção daquela adega cooperativa, através do qual a empresa Anselmo Mendes Vinhos passou a assumir a produção e a comercialização dos vinhos. A primeira colheita de novo sob o controlo da dupla de enólogos é de 2015.

O vinho na Terceira nasceu com a chegada dos primeiros povoadores, no início do século XVI, e expandiu-se com a aventura marítima. Quase desapareceu com a filoxera, no final do século XIX, mas voltou a ganhar alguma projecção já no século XX graças à Casa Agrícola Brum. Com o declínio desta casa, a pequena Adega Cooperativa dos Biscoitos passou a ser o derradeiro baluarte dos vinhos brancos da ilha. Inaugurada em 1999, conta actualmente com cerca de 60 sócios. A produção total de vinho é ainda diminuta (pouco mais de 10 mil litros) e um dos grandes desafios de Anselmo Mendes e Diogo Lopes passa por incentivar os viticultores locais a plantar novas vinhas e a reestruturar algumas das existentes, tirando partido dos generosos apoios existentes. No Pico, a corrida aos apoios para a plantação de novas vinhas tem sido intensa. Mas na Terceira o interesse tem sido residual. A área disponível também é bastante inferior. A Área de Paisagem Protegida das Vinhas dos Biscoitos (integrada no Parque Natural da Terceira), criada pelo governo regional para travar o avanço da construção imobiliária, estende-se por apenas 165,40 hectares de biscoito.

Biscoito é o nome que se dá à terra queimada nascida dos vulcões. Muitas das zonas pedregosas de basalto preto situadas junto ao mar são fajãs formadas pelas lavas provenientes de erupções vulcânicas. Por serem terras pobres e de difícil granjeio, foram utilizadas desde cedo para o cultivo da vinha. Para a cultura ser viável, foi necessário proteger as videiras das intempéries, através da construção de curraletas, parcelas pequenas delimitadas por muros de pedra seca. É uma arquitectura que combina sabiamente a necessidade de arrumar a pedra resultante das covas onde eram plantadas as videiras com a preocupação de proteger a vinha dos elementos.

Cada curraleta pode levar entre seis a dez videiras (muitas levam menos), que crescem sem qualquer aramação junto ao solo. São suportadas por tinchões, pequenos ramos de urze que evitam o contacto dos cachos com a terra pedregosa e proporcionam uma melhor incidência da luz solar. Alguns produtores produzem apenas algumas dezenas de quilos de uva, mas continuam, ano após ano, a tratar das suas curraletas. A sua devoção a esta cultura, praticada num ambiente hostil e sem retorno económico visível, é verdadeiramente emocionante. É ela que confere aos brancos dos Biscoitos uma dimensão que vai muito para além da faceta orgânica e química do vinho. Por trás de cada copo há muito heroismo e poesia — e é também por isso que estes brancos são tão especiais e formidáveis.


Fonte: Fugas

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