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Entrevista com José Bento dos Santos

12/09/2018

Engenheiro Bento dos Santos já deixou o mundo dos metais e dedica-se, principalmente, à produção de vinho na sua conceituada Quinta do Monte D’Oiro. Faz ainda parte da Academia Internacional da Gastronomia e da Académie des Psycologues du Goût, e ao mesmo tempo é chevalier des Entonneurs Rabelaisiens e chevalier du Tastevin (conceituada confraria de enófilos ligados à região de Bordéus). Como se isto não fosse suficiente, tem também no seu historial um papel preponderante no lançamento da carreira de José Avillez, o mais conceituado chef português das últimas décadas.

A sua aventura como produtor deveu-se segundo Bento dos Santos ao seu percurso de vida. "Por estar ligado à gastronomia, naturalmente que também fiquei ligado ao vinho. Em minha casa bebia-se normalmente, os meus pais, naquela casa burguesa de cozinha portuguesa, tinham esse hábito de consumo. Eu passei sempre férias na região onde é hoje a Quinta do Monte d’Oiro e, portanto, tinha 10 meses quando estive presente na minha primeira vindima. Depois fui por aí fora, aprendendo os termos, vivendo aquelas conversas… Enfim, tive sempre uma relação. Depois tive a sorte de com 18 anos fazer a minha primeira visita a Bordéus. A vida foi me proporcionando mais coisas deste género. Eu fui conhecendo cada vez mais, não só no aspeto técnico mas também sobre a forma de encarar o vinho, a sua filosofia. Não é por acaso que o vinho tem cinco mil anos de História, e está presente desde as religiões aos grandes banquetes e negócios. É tudo firmado com um “tchin-tchin” de vinho! É esse mistério do vinho que me tem interessado muito estudar, aprender. Em determinada altura, eu dediquei a minha vida ao trading de metais e minérios. Um dia estava em Nova Iorque, num jantar, e um grande amigo disse-me: “Nós passamos a vida a negociar commodities, mas há uma que não existe mais: a terra”. Voltei para Portugal no dia seguinte com aquilo na cabeça. Tinha toda a razão. Assim que cheguei falei disso ao meu pai — que neste tipo de atividades era como se fosse um irmão — e ele também achou a ideia maravilhosa. Nós conhecíamos muito bem o antigo proprietário da Quinta do Monte d’Oiro, uma pessoa muito amiga e de grande competência que já não exercia mas que nos disse que éramos as únicas pessoas a quem ele a venderia.
E compramo-la em 1986 e a partir daí passámos a ser proprietários desse pedaço de terra. Ela já estava com vinha, eram os caseiro que a cuidavam, mas bastavam os poucos conhecimentos que tinha na altura para perceber que aquilo dava origem àquele vinho mais fraco. Não era o vinho que eu me imaginava a produzir. Foram esses meus amigos do trading que me ajudaram. Muitos deles eram judeus e, na altura, havia uma preocupação de várias empresas israelitas de fornecerem, aos vários mercados, fruta no início da época, mais cedo do que a própria época. Vieram à quinta uns professores da Universidade de Jerusalém que a quiseram estudar, para saber se podiam fazer ali, entre várias frutas, uva de mesa. À conta disso fiquei com um estudo profundíssimo sobre o que se podia fazer ali, quais eram os potenciais, como se deviam fazer as coisas… Nessa altura decidi aproveitar. Começámos com uma pequena quantidade, para fazer uma experiência, e isso deu origem a resultados muito bons. A partir daí fomos progredindo e aumentando. Ao fim de 30 anos a Quinta do Monte d’Oiro já é o que é.
A quinta hoje está a ser dirigida totalmente pelo meu filho Francisco, que a assumiu de A a Z. Julgo que é assim, não se podem passar uns bocados e outros não. Aquilo faz parte de um negócio que tem de ter uma cabeça. Eu continuo disponível para estudar, estou a escrever um livro das minhas memórias do vinho, onde, essencialmente, preocupa-me a questão filosófica envolvida. E sempre que é preciso lá estou eu a incentivar, a dar um conselho — que normalmente é sempre bem-vindo."

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